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31 de julho de 2011

A mulher da página 194

Eu adoro a Martha Medeiros, e adorei esta crônica que achei na internet. Não consegui ter certeza se foi ela que escreveu de fato, mas se não foi, bem que poderia. Aproveitem!

Ela é loira e Linda. Tem 30 anos. Modelo profissional. Saiu na última edição da revista Americana Glamour ilustrando uma reportagem sobre autoimagem, e foi o que bastou para causar um rebuliço nos Estados Unidos.. A revista recebeu milhares de cartas e e-mails. Razão: a barriga saliente da moça. Teor das mensagens: alívio. Uma mulher com um corpo real.

Não sei se Lizzie Miller, que ficou conhecida como a mulher da página 194, já teve filhos,  provavelmente sim, devido à idade que tem.

Nós que temos  conhecemos bem aquela dobrinha que se forma ao sentar. E mesmo quem não teve conhece também, bastando para isso pesar um pouco mais do que 48 quilos, que é o que a maioria das tops pesa. Lizzie não é um varapau — atua no mercado das modelos “plus size”, ou seja, de tamanhos grandes. Veste manequim 42, um insulto ao mundo das anoréxicas.

A foto me despertou sentimentos contraditórios. Por mais que estejamos saturados dessa falsa imagem de perfeição feminina que as revistas promovem, há que se admitir: barriga é um troço deselegante. É falso dizer que protuberâncias podem ser charmosas. Não são.

Só que toda mulher possui a sua e isso não é crime, caso contrário, seríamos todas colegas de penitenciária. Sem Photoshop, na beira da Praia, quase ninguém tem corpaço, a não ser que estejamos nos referindo a volume.Se estivermos falando de silhueta de ninfa, perceba: são três ou quatro entre centenas. E, nesse aspecto, a foto de Lizzie Miller serve como uma espécie de alforria.. Principalmente porque ela não causa repulsa, ao contrário, ela desperta uma forte atração que não vem do seu abdômen, e sim do seu semblante extremamente saudável. É saúde o que essa moça vende, e não ilusão.

Um generoso sorriso, dentes bem cuidados, cabelos limpos, segurança, satisfação consigo próprio, inteligência e bom humor: é isso que torna um homem ou uma mulher bonitos. Aquelas meninas magérrimas que ilustram editoriais de moda, quase sempre com cara de quem comeu e não gostou (ou de quem não comeu, mas gostaria), são apenas isso: magérrimas.. Não parecem pessoas felizes. Lizzie Miller dá a impressão de ser uma mulher radiante, e se isso não é sedutor, então rasgo o diploma de Psicologia que não tenho. Ela merecia estar na primeira página, porque, mesmo tendo sido publicada na 194, roubou a cena!

Um comentário:

Cacau disse...

Conheco esse texto, tb nao sei se eh da Marta, mas eh maravilhoso. Nos sabemos o que queremos - nao sonho com um corpo de modelo,ou de passista de escola de samba...mas um corpo pelo qual eu tenha admiração, coisa que nao tem acontecido. Uma barriguinha(eu disse INHA)...vai bem, eh um charme, conta a minha historia por ai. E essa modelo fazer parte do grupo plussize vestindo 42...eh um insulto a quem está realmente PLUS... Beijos!